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Metade de mim

Metade de mim

13
Dez16

A recuperação

Eu

Cerca de um mês e meio depois de teres tido o AVC, foste então transferido para outro hospital, enquanto não tinhas vaga nos cuidados continuados.

 

Por lei, tem-se direito a três meses de reabilitação, após um AVC, mas as listas de espera são longas e as pessoas ou aguardam em casa, independentemente do seu estado, ou podem dar-se ao luxo de irem para o privado.

 

No teu caso, acabaram por transferir-te para outro hospital, onde, felizmente, houve uma equipa espetacular que não desistiu de ti.

 

Podias ter ficado lá, simplesmente... mas não, desde o inicio que te puseram a fazer fisioterapia.

 

O inicio desta nova etapa, não foi fácil.

 

O que querias mesmo, era andar e foi nisso que te focaste.

 

No primeiro dia, recebi logo a informação que eras teimoso, querias fazer as coisas à tua maneira. Não estavas responsivo, enfim.

 

Mas a vontade era tanta, que contra todos os prognósticos e aquilo que era normal nestes casos, evoluiste de tal forma que quando foste para os cuidados continuados, já ias a andar.

 

Médicos, enfermeiros, famila, ninguém queria acreditar.

 

Pela primeira vez começaste a sair do quarto - ainda em cadeira de rodas, que o equilibrio ainda  não era total. Iamos até à esplanada do bar do hospital, e ficavamos lá a falar.

 

Eu continuava a achar que tu falavas cada vez melhor, já te entendia perfeitamente.

 

Havia pessoas que não te entendiam, outras que percebiam algumas coisas, mas de uma maneira geral, e após aqueles primeiros tempos, todos achavam que as melhoras eram visiveis.

 

Começaram também a fazer jogos de destreza manual, a ajudarem-te a escrever, a ver as horas.

 

Perdeste toda a capacidade de raciocinio.

 

Aos poucos começaste a conseguir ler fluentemente, embora continuasses com dificulade de expressão oral e escrita.

 

Estavas desesperado para sair dali. Querias ir para casa.

 

Todos os dias te explicava que não irias já para casa, mas sim para outro sitio, que eu não designava como hospital, mas sim como centro de reabilitação, para não te ser tão penoso.

 

Passaste mais um mês e meio ali, rodeado de alucinações (para ti, sempre que médicos e enfermeiros falavam, era sobre ti. Havia incêndios, coisas descabidas da tua imaginação, que eram dificeis de lidar).

 

Com a medicação, as coisas foram-se atenuando, tu recuperavas a olhos vistos e passado um mês e meio, chegou finalmente o dia em que irias ser transferido para os cuidados continuados, num hospital já perto de casa que tinha esse acordo com a segurança social e a tua esperança renasceu.

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