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Metade de mim

Metade de mim

13
Dez16

A todos os 17 de Novembro da minha vida

Eu

Foi um dia como qualquer outro, na nossa vida.

 

Já estavamos habituados às rotinas.

 

Eu levantava-me primeiro, arranjava-me e ia tratar do cão.

 

Acordava-te. Enquanto te arranjavas, eu fazia o pequeno almoço.

 

Nesse dia, as terapias eram à tarde. Como tal, deixei-te sentadinho no sofá a ver televisão e fui trabalhar (larguei o part-time e dediquei-me novamente à minha actividade, com horários muito reduzidos, para te poder acompanhar o máximo possivel).

 

Como sempre, às 13h estava em casa a dar-te o almoço.

 

Almoçamos, estivemos a ver uma série e fomos para as terapias. Às quintas, tinhas duas terapias.

 

Fomos, voltamos, deixei-te em casa eram 17h30, cumprindo o ritual de sempre: esperava que abrisses a porta de casa para regressar ao trabalho.

 

Às 19h05, como habitualmente, estava em casa.

 

Abri a porta, disse-te o olá habitual e tu dizes: não faças jantar para mim, que depois do iogurte fiquei mal disposto.

 

Caiu-me tudo aos pés. Com a maior calma possivel fui buscar o medidor de tensão. Tinhas a tensão normal.

 

Perguntei-te: mas sentes o quê?

 

Sentaste-te e disseste-me, apontando: esquisito aqui na cabeça.

 

Foram as tuas ultimas palavras. O teu corpo deu um salto e começaste a arfar.

 

Liguei logo para o 112, os bombeiros foram rápidos.

 

Mal chegaram, começaram logo a fazer-te reanimação e mandaram-me sair da sala.

 

Eram 20h39 quando, já dentro da ambulância à porta de casa, me morreste.

 

Para todos, morreste ali, para mim, morreste-me nos braços, pouco depois das 19h.

 

 

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