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Metade de mim

Metade de mim

12
Dez16

Depois da tempestade...

Eu

Estiveste pouco tempo nos cuidados intermédios... cerca de 3/4 dias, se a memória não me falha.

 

Rapidamente foste passado para uma enfermaria.

 

Aí sim, começou a tua verdadeira prova de fogo.

 

Se até aí não tinhas noção de como estavas, na enfermaria ganhaste consciência do teu estado.

 

O AVC apanhou-te o lado direito (não mexias perna nem braço) e a fala.

 

Aos poucos, foste-te apercebendo do que se passava.

 

Ficaste assustado, não sabias como tinhas ido ali parar, mal se percebia o que dizias (ao inicio então, era desesperante, tu a falares, eu sem entender. Com o tempo fui-me acostumando a essa forma de falares e enquanto toda a gente dizia, depois de te ver, que não entendia nada, eu percebia-te e isso para nós era o suficiente.)

 

Pensavas que tinhas tido um acidente de carro (provavelmente por não mexeres um dos lados), choravas copiosamente (e eu a ter que me aguentar, só eu sei com que esforço).

 

O que te dizia hoje, amanhã já não te lembravas.

 

Choravas. Choravas muito, sempre que vias uma pessoa que reconhecias, sempre que perguntavas o que tinhas tido (normalmente era sempre: como é que o carro ficou? Perdi a minha carteira? Perdi os sapatos?)

 

Todos os dias te dizia que não tinha sido acidente e explicava o que tinha acontecido.

 

Todos os dias choravas.

 

Ainda na enfermaria, começaste a ser conhecido como houdini.

 

Primeiro, tentaste tirar tudo o que era tubo (soro, alimentação, cateteres). Tiveram que te prender braço e perna esquerda. Pior, também te tiveram que prender a direita, pois, ninguém sabe como, mas depois de estares amarrado do lado esquerdo, arranjaste forma de arremessar a mão direita e continuaste a fazer disparates.

 

O último foi arrancares o tubo da traqueotomia, para grande susto de toda a gente, e onde fui logo informada pelo médico que não sabia que repercussões isso poderia ter tido, pois apesar de estarem a pensar tirá-lo, não seria com a força bruta com que o fizeste.

 

Nem uma semana depois, já te queriam ver dali para fora.

 

Que estavas estável e que terias que aguardar vaga nos cuidados continuados, em casa.

 

Informei que não tinha condições para te ter em casa acamado, quando o único auxilio que prestam é a nivel de cudados de higiene, ainda para mais sem saber quanto tempo teriamos que esperar até ter vaga nos cuidados continuados.

 

Acabaste por estar cerca de um mês à espera de vaga, mas acabaste por ir para o mais perto de casa ( que era o que eu queria, para te poder continuar a acompanhar).

 

Como não podias continuar em enfermaria e eu continuei a "bater o pé" que não tinha condições para estares em casa, acabaste por ser transferido para outro hospital pertencente ao grupo, onde começaste verdadeiramente a tua recuperação.

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