Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Metade de mim

Metade de mim

13
Dez16

Eu, em sete meses e meio

Eu

Sou a prova viva que as pessoas, quando se confrontam com uma situação, são capazes de tudo.

 

Durante estes 7,5 meses, vivi para ti.

 

Pode parecer presunçoso, mas é a verdade.

 

O que esteve sempre em primeiro lugar, foste tu e anulei-me completamente.

 

Trabalho por conta própia e o trabalho foi renegado.

 

O importante era o teu bem estar.

 

Andei este tempo em piloto automático. Às vezes, chegava aos sitios sem saber como.

 

Foram dias de muito pouco sono e nenhum descanso.

 

Estive contigo todos os dias. E continuaria a fazer tudo igual.

 

Estiveste a 30 kms de casa, a 50 kms de casa e nunca te falhei, porque naquele momento eu só queria que estivesses bem, que recuperasses e que soubesses quanto eras importante para mim.

 

Durante seis meses, a minha vida foi passada em hospitais.

 

Até ires para a enfermaria, no primeiro mês e meio, mesmo sabendo-te a dormir e acreditando que nada entendias, fui ver-te.

 

Quando começaste a estar acordado, mesmo baralhado, sem falares, só a chorar, ficavamos de mão dada e aqueles momentos eram de ouro, para mim.

 

Quando começaste a estar mais lúcido, falavamos, fazias-me queixinhas das auxiliares, dizias bem dos terapeutas, lias a marca da televisão e iamos até à esplanada do bar do hospital.

 

Durante a semana ia ver-te à hora de almoço, aos fins de semana passava as tarde contigo.

 

Passado o primeiro mês e meio, em que tive por uma ou duas vezes o pensamento que as coisas poderiam acabar por ali, nunca, nos meus piores pesadelos, desisti de ti.

 

Quando foste para os cuidados continuados, mantive a rotina, passeavamos cá fora, estavamos no café do hospital a fazer tempo para as terapias.

 

Volto a dizer: foram meses muito dificeis, onde sempre disse que só me iria abaixo quando já não precisasses de mim.

 

Nunca baixei os braços, nunca me viste triste, a chorar, desesperada, cansada.

 

Durante 7,5 meses foste a minha prioridade. Deixei de ter vida própria.

 

O tempo media-se pelas tuas rotinas, as noites e madrugadas viraram dias.

 

Só voltei a dormir à noite quando voltaste para casa e mesmo assim, bastava virares-te na cama para eu acordar.

 

Fiz muitas vezes de conta que estava a dormir, sentindo-te acordado, para que não te sentisses culpado.

 

Acho que é a isto que chamam amor.

 

 

 

 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D