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Metade de mim

Metade de mim

12
Dez16

Quando se tem que tomar decisões

Eu

Passados dois dias de estares novamente nos cuidados intensivos, fui chamada para falar com a médica responsável do serviço.

 

O teu estado respiratório inspirava muitos cuidados, estavas entubado o que poderia provocar infecções e o mais sensato, seria fazeres uma traqueotomia.

 

Eu não sou médica, mas se não acreditar em quem estudou para isso, vou acreditar em quem?

 

Acedi e assinei o termo de responsabilidade.

 

Disseram-me que era uma acção relativamente fácil, sem grandes complexidades e sem necessidade de bloco operatório e explicaram-me os procedimentos.

 

Entre feriado e fim de semana, lá marcaram o procedimento.

 

No dia seguinte, quando lá chego, sou chamada novamente.

 

Ias ter que ir ao bloco fazer a traqueotomia, pois quando tentaram realizar o procedimento, encontraram um caroço no pescoço que dificultava o procedimento e ao contrário do que era normal, tinha que ser feito através de cirurgia.

 

Perguntei a que se devia o nódulo.

 

Desvalorizaram, respondendo-me: não lhe arranje mais complicações do que aquelas que ele já tem neste momento.

 

Estamos a fazer tudo o que é possivel.

 

Fizeste a traqueotomia, correu bem, sem precalços.

 

Continuaste em coma induzido, depois foram-te acordando.

 

Nesses dias nos cuidados intensivos, estava sempre à espera do dia em que lá chegasse e estivesses acordado.

 

Não foram muitos, esses dias. E quando isso acontecia, olhavas para mim, mas não me vias. Ou não me reconhecias.

 

Passou mais uma semana, até que te voltaram a enviar para os cuidados intermédios.

 

E a esperança voltou.

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