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Metade de mim

Metade de mim

13
Dez16

Tu em 7 meses e meio

Eu

Quando tiveste o AVC e foste levado para a ambulância, ainda ias lúcido.

 

A única coisa visivel era que não conseguias falar, mas de resto ainda andavas e sabias que estava alguma coisa a acontecer.

 

Deixaste-me "beijinhos" escrito numa folha de excel, no computador onde estavas a trabalhar, que só vi quando regressei à minha vida.

 

Foi aí que entendi que sentias que alguma coisa não estava bem e foi a tua forma de o dizeres.

 

Variaste muito ao longo do tempo e tornaste-te uma pessoa melhor.

 

É dificil por em palavras a tua evolução, mas nunca, em 7,5 meses mostraste a minima revolta pelo que te estava a acontecer.

 

O que mais querias era ser autónomo e andares e foi isso mesmo que conseguiste em primeiro lugar.

 

Tiveste muitas alturas que estavas completamente baralhado, foi preciso muita paciência para repetir diariamente tudo, para que não te esquecesses.

 

Ficavas frustrado quando estavas uma hora para fazer um exercicio de escrita, mas sempre muito orgulhoso porque a nivel fisico, já tinhas equilibrio e conseguias fazer tudo o que te pediam.

 

Tiveste fases de alucinação, fases em que apenas seguias as pessoas com o olhar e deixavas de ser responsivo.

 

Ficaste impaciente. Não conseguias estar muito tempo a ver o mesmo - excepto futebol - e nem muito tempo no mesmo lugar.

 

Por vezes, vinhas de manhã comigo, nos dias em que as terapias eram pela fresca, mas às 12h30 já querias almoçar, ir embora, sair de lá.

 

Não recuperaste totalmente a memória, mas continuaste sempre a saber o dia em que o teu clube jogava, quem jogava, quando, quem eram os jogadores.

 

Mantiveste a dificuldade de escrita, mas desenvolveste a fala e o raciocinio.

 

Foste autónomo até ao fim, gostaste de mim até ao fim, quiseste-me diariamente ao pé de ti até ao fim.

 

 

13
Dez16

Em casa

Eu

Foste para casa a 3 de Outubro de 2016.

 

A 3 dias de completares 6 meses de ausência, era o que mais querias.

 

Desde a reunião com a equipa médica, tinha sido informada de como tinha que ser a tua nova vida.

 

Muito regrada, levantar às 8h, deitar às 22h.

 

Fazer as terapias, caminhadas, comer a horas certas e não falhar a medicação (estavas a tomar 8 comprimidos diariamente).

 

Estavas o rei do relógio. Tudo era cronometrado ao segundo, não podia escapar nada.

 

Não reclamavas com nada, deitavas-te e acordavas bem disposto, comias certinho e ia-te levar às terapias diariamente.

 

Notava-se que tinhas dores, especialmente no braço direito, mas desvalorizavas sempre.

 

E assim foi, durante um mês e meio...

13
Dez16

Cuidados continuados

Eu

Passaram-se então três meses desde que tiveste o AVC.

 

Foste para os cuidados continuados a 5/7.

 

Sitio novo, gente nova.

 

Sempre que mudavas de sitio, via-se o pânico nos teus olhos, por não entenderes o que se estava a passar.

 

A ida para os continuados foi mais pacifica, até porque fiquei o dia todo contigo.

 

Ligaste-me a dizer que ias sair do hospital e eu fui logo para aquela que seria a tua nova casa durante mais três meses.

 

Quando chegaste, vinhas bem disposto, numa cadeira de rodas, agarrado ao caderno que te tinha comprado para treinares a escrita - que ainda hoje guardo - e à bolsa com os artigos de higiene.

 

A roupa vinha em sacos, quem a levou foi um dos senhores que te trouxeram.

 

Após a primeira triagem de enfermagem com indicação das normas de visita e a vinda da médica para também te avaliar, ficamos ali. Tu na cama, eu sentada numa cadeira.

 

Tinhas dois colegas de quarto.

 

Disseram-nos que irias fazer fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional.

 

Começaste a fazer tudo passado três dias e a tua motivação era inspiradora.

 

No último mês, começaste também a fazer terapia cognitiva diariamente (já fazias um bocadinho desse trabalho com o rapaz da acção social, mas acharam que terias que fazer mais a sério).

 

A tua vida durante três meses, foi essa, sem nunca reclamares, mas sempre a contar os dias de volta a casa.

 

Na reunião de saída, três meses depois (3/10), disseram-te que não poderias voltar à tua profissão, nunca mais.

 

Que não valeria a pena continuares a fazer fisioterapia, pois já tinhas evoluido o que era possivel (ficaste com um défice a nivel de perna e braço, mas estavas autónomo) mas que seria conveniente continuares com as restantes terapias.

 

A nivel de segurança social, eles não tinham acordo, mas optei por fazer mais um esforço e sabendo que não eras apologista de mudanças e muito mais no teu estado, acabaste por ficar no mesmo sitio, a fazer as terapias diárias a nivel particular.

 

Mas isso já é uma nova fase.

 

Saiste a 3/10, bem disposto, feliz, a falar com toda a gente e passados seis meses, ias regressar novamente a casa!

13
Dez16

A recuperação

Eu

Cerca de um mês e meio depois de teres tido o AVC, foste então transferido para outro hospital, enquanto não tinhas vaga nos cuidados continuados.

 

Por lei, tem-se direito a três meses de reabilitação, após um AVC, mas as listas de espera são longas e as pessoas ou aguardam em casa, independentemente do seu estado, ou podem dar-se ao luxo de irem para o privado.

 

No teu caso, acabaram por transferir-te para outro hospital, onde, felizmente, houve uma equipa espetacular que não desistiu de ti.

 

Podias ter ficado lá, simplesmente... mas não, desde o inicio que te puseram a fazer fisioterapia.

 

O inicio desta nova etapa, não foi fácil.

 

O que querias mesmo, era andar e foi nisso que te focaste.

 

No primeiro dia, recebi logo a informação que eras teimoso, querias fazer as coisas à tua maneira. Não estavas responsivo, enfim.

 

Mas a vontade era tanta, que contra todos os prognósticos e aquilo que era normal nestes casos, evoluiste de tal forma que quando foste para os cuidados continuados, já ias a andar.

 

Médicos, enfermeiros, famila, ninguém queria acreditar.

 

Pela primeira vez começaste a sair do quarto - ainda em cadeira de rodas, que o equilibrio ainda  não era total. Iamos até à esplanada do bar do hospital, e ficavamos lá a falar.

 

Eu continuava a achar que tu falavas cada vez melhor, já te entendia perfeitamente.

 

Havia pessoas que não te entendiam, outras que percebiam algumas coisas, mas de uma maneira geral, e após aqueles primeiros tempos, todos achavam que as melhoras eram visiveis.

 

Começaram também a fazer jogos de destreza manual, a ajudarem-te a escrever, a ver as horas.

 

Perdeste toda a capacidade de raciocinio.

 

Aos poucos começaste a conseguir ler fluentemente, embora continuasses com dificulade de expressão oral e escrita.

 

Estavas desesperado para sair dali. Querias ir para casa.

 

Todos os dias te explicava que não irias já para casa, mas sim para outro sitio, que eu não designava como hospital, mas sim como centro de reabilitação, para não te ser tão penoso.

 

Passaste mais um mês e meio ali, rodeado de alucinações (para ti, sempre que médicos e enfermeiros falavam, era sobre ti. Havia incêndios, coisas descabidas da tua imaginação, que eram dificeis de lidar).

 

Com a medicação, as coisas foram-se atenuando, tu recuperavas a olhos vistos e passado um mês e meio, chegou finalmente o dia em que irias ser transferido para os cuidados continuados, num hospital já perto de casa que tinha esse acordo com a segurança social e a tua esperança renasceu.

12
Dez16

Depois da tempestade...

Eu

Estiveste pouco tempo nos cuidados intermédios... cerca de 3/4 dias, se a memória não me falha.

 

Rapidamente foste passado para uma enfermaria.

 

Aí sim, começou a tua verdadeira prova de fogo.

 

Se até aí não tinhas noção de como estavas, na enfermaria ganhaste consciência do teu estado.

 

O AVC apanhou-te o lado direito (não mexias perna nem braço) e a fala.

 

Aos poucos, foste-te apercebendo do que se passava.

 

Ficaste assustado, não sabias como tinhas ido ali parar, mal se percebia o que dizias (ao inicio então, era desesperante, tu a falares, eu sem entender. Com o tempo fui-me acostumando a essa forma de falares e enquanto toda a gente dizia, depois de te ver, que não entendia nada, eu percebia-te e isso para nós era o suficiente.)

 

Pensavas que tinhas tido um acidente de carro (provavelmente por não mexeres um dos lados), choravas copiosamente (e eu a ter que me aguentar, só eu sei com que esforço).

 

O que te dizia hoje, amanhã já não te lembravas.

 

Choravas. Choravas muito, sempre que vias uma pessoa que reconhecias, sempre que perguntavas o que tinhas tido (normalmente era sempre: como é que o carro ficou? Perdi a minha carteira? Perdi os sapatos?)

 

Todos os dias te dizia que não tinha sido acidente e explicava o que tinha acontecido.

 

Todos os dias choravas.

 

Ainda na enfermaria, começaste a ser conhecido como houdini.

 

Primeiro, tentaste tirar tudo o que era tubo (soro, alimentação, cateteres). Tiveram que te prender braço e perna esquerda. Pior, também te tiveram que prender a direita, pois, ninguém sabe como, mas depois de estares amarrado do lado esquerdo, arranjaste forma de arremessar a mão direita e continuaste a fazer disparates.

 

O último foi arrancares o tubo da traqueotomia, para grande susto de toda a gente, e onde fui logo informada pelo médico que não sabia que repercussões isso poderia ter tido, pois apesar de estarem a pensar tirá-lo, não seria com a força bruta com que o fizeste.

 

Nem uma semana depois, já te queriam ver dali para fora.

 

Que estavas estável e que terias que aguardar vaga nos cuidados continuados, em casa.

 

Informei que não tinha condições para te ter em casa acamado, quando o único auxilio que prestam é a nivel de cudados de higiene, ainda para mais sem saber quanto tempo teriamos que esperar até ter vaga nos cuidados continuados.

 

Acabaste por estar cerca de um mês à espera de vaga, mas acabaste por ir para o mais perto de casa ( que era o que eu queria, para te poder continuar a acompanhar).

 

Como não podias continuar em enfermaria e eu continuei a "bater o pé" que não tinha condições para estares em casa, acabaste por ser transferido para outro hospital pertencente ao grupo, onde começaste verdadeiramente a tua recuperação.

12
Dez16

Quando se tem que tomar decisões

Eu

Passados dois dias de estares novamente nos cuidados intensivos, fui chamada para falar com a médica responsável do serviço.

 

O teu estado respiratório inspirava muitos cuidados, estavas entubado o que poderia provocar infecções e o mais sensato, seria fazeres uma traqueotomia.

 

Eu não sou médica, mas se não acreditar em quem estudou para isso, vou acreditar em quem?

 

Acedi e assinei o termo de responsabilidade.

 

Disseram-me que era uma acção relativamente fácil, sem grandes complexidades e sem necessidade de bloco operatório e explicaram-me os procedimentos.

 

Entre feriado e fim de semana, lá marcaram o procedimento.

 

No dia seguinte, quando lá chego, sou chamada novamente.

 

Ias ter que ir ao bloco fazer a traqueotomia, pois quando tentaram realizar o procedimento, encontraram um caroço no pescoço que dificultava o procedimento e ao contrário do que era normal, tinha que ser feito através de cirurgia.

 

Perguntei a que se devia o nódulo.

 

Desvalorizaram, respondendo-me: não lhe arranje mais complicações do que aquelas que ele já tem neste momento.

 

Estamos a fazer tudo o que é possivel.

 

Fizeste a traqueotomia, correu bem, sem precalços.

 

Continuaste em coma induzido, depois foram-te acordando.

 

Nesses dias nos cuidados intensivos, estava sempre à espera do dia em que lá chegasse e estivesses acordado.

 

Não foram muitos, esses dias. E quando isso acontecia, olhavas para mim, mas não me vias. Ou não me reconhecias.

 

Passou mais uma semana, até que te voltaram a enviar para os cuidados intermédios.

 

E a esperança voltou.

12
Dez16

Mais do mesmo

Eu

Foste transferido novamente para o hospital a que pertencemos.

 

Já estavas instalado na enfermaria de cuidados intermédios e apesar de não ser o horário de visita, deixaram-me ir ver-te.

 

O enfermeiro que me recebeu, deu-me as primeiras indicações: que não estavas responsivo e que te agitavas muito quando não estavas em coma induzido.

 

Fui ver-te e estavas acordado.

 

Reconheceste-me ao primeiro olhar e só querias sair dali.

 

O enfermeiro comentou que era a primeira vez que te via a ter uma reacção!

 

Quando me fui embora ficaste muito agitado. Ignoro o que iria que na tua cabeça, mas deveria ser qualquer coisa como: então esta, não me leva?

 

Ao fim de dois dias, quando cheguei à enfermaria, disseram-me que já lá não estavas.

 

Tinhas piorado novamente e sido transferido para os cuidados intensivos.

 

Fui ver-te, estavas novamente em coma induzido.

 

Disseram-me que a tua tensão tinha voltado a disparar e que tinhas piorado novamente a nivel respiratório.

 

Continuavam sem dar prognósticos, as coisas tanto podiam evoluir duma forma ou de outra.

 

Os dias seguntes, via-te sempre a dormir. Sempre que tentavam manter-te acordado, a tensão subia e a dificuldade respiratória não estava a ajudar.

 

Vinham aí mais decisões.

12
Dez16

Em Loures

Eu

No dia seguinte - e durante mais duma semana - ficaste em Loures.

 

Fui todos os dias ver-te, apesar de estares em coma induzido. Tentei sempre ter informações tuas, mas a resposta era sempre a mesma: prognóstico muito reservado, está em coma induzido, quando o tentamos tirar de coma, não reage e a tensão sobe (sem o coma induzido, a tensão disparava para os 17/18).

 

Passado cerca de uma semana e meia, o médico informa-me que estás estável, apesar de ainda com prognóstico reservado, e que vais ser novamente para uma enfermaria de cuidados intermédios, no hospital da nossa área de residência.

 

Vi a luz ao fundo do tunel e pensei: a partir de agora vai ser sempre a melhorar.

12
Dez16

The day after

Eu

Essa noite, foi um turbilhão de emoções.

 

Para além do meu estado fragilizado por toda a situação, começou a espalhar-se o que te tinha acontecido, em breve foi uma catadupa de telefonemas pela noite fora.

 

Fiquei logo com a informação que irias ficar no S.O. e soube logo os horários.

 

No dia seguinte, lá estava eu pronta para te ver.

 

Quando começaram a chamar as pessoas para irem entrando, disseram-me que eu ainda não podia entrar, porque te estavam a prestar os cuidados de higiene.

 

Quase no final da hora da visita, fui chamada para falar com um médico.

 

Tinhas tido um "problema respiratório" que já estava controlado. Continuavas em prognóstico reservado.

 

Perguntei se te podia ver. Não queriam deixar. Depois de muita insistência, lá anuiram.

 

Deparei-me com um cenário dantesco.

 

Tu com uma máscara, com uma dificuldade extrema a respirar, a tensão elevadissima. Enfim, uma imagem que nunca vou esquecer.

 

Eu falava, abrias os olhos, que estavam completamente vidrados, apertavas-me a mão e desaparecias lá para o teu mundo, sempre com uma dificuldade em respirar assustadora.

 

Pedi para falar novamente com o médico.

 

A muito custo disse-me que estavas com uma pneumonia e que já chegaste assim (continuo a não acreditar nesta versão) e que o prognóstico era muitissimo reservado, nesta altura.

 

No dia seguinte já não estavas naquele sitio, mas em local mais resguardado.

 

Quando cheguei ao pé de ti, já estavas entubado e parecias dormir.

 

Chamei-te uma, duas, três vezes, sem resposta.

 

Fiquei assustada, fui  falar com um enfermeiro, que após falar com várias pessoas, me disse que estavas em coma induzido.

 

Tinhas tido uma paragem cardio-respiratória (soube depois que foram 4 minutos) e iam-te transferir para o novo hospital de Loures, onde haviam as melhores condições e equipamento técnico que te mantivessem ligado a este mundo.

 

Foste transferido às 20h e lá estava eu para te ver.

 

Como ainda não estavas preparado, não pude entrar. Fiquei só com os horários das visitas e contacto telefónico para lá voltar no dia seguinte.

 

 

12
Dez16

A espera

Eu

Chegados ao hospital, foste recebido por um neurocirurgião, de forma a fazer uma avaliação do que se passava.

 

Fui estacionar o automóvel no parque de estacionamento do hospital e quando cheguei às urgências, os bombeiros - impecáveis desde a primeira hora - disseram-me que o médico queria falar comigo.

 

Foi feito o rastreio inicial, a nivel de hábitos de consumo e tentar entender quanto tempo tinha passado desde a ocorrência.

 

Passado algum tempo - que para mim foram horas intermináveis - chamaram-me, dando-me então a indicação que terias tido um AVC hemorrágico, em local inoperável e que irias ficar em observação até estares estável e depois serias transferido para o hospital da nossa área de residência (agora há um sistema com o nome de via verde, onde as pessoas são levadas para o hospital que tenha pronta a equipa médica para os receber e que não é necessariamente o hospital da área de residência).

 

Tiveste o AVC pouco depois das 10h, voltaram a chamar-me somente às 17h, dando indicação que irias ser transferido.

 

Não sei o que fiz naquelas horas. Sei que não comi, sei que só estava atenta se me chamavam e que fui uma vez ao balcão de informação, perguntar se havia novidades, ao que me responderam que não, que continuava em estado critico e não sabiam mais nada.

 

Foi nessa altura que me caiu a ficha, literalmente, e que percebi que se calhar, as coisas não tinham sido tão leves como pensava.

 

Lembro-me de ligar para o part-time que tinha arranjado quando decidimos mudar o curso das nossas vidas a dar indicação do que se tinha passado e de ligar para a minha mãe.

 

Resolvi não dizer nada a mais ninguém, até saber concretamente o que se passava, para não estar a alarmar ninguém ( e porque continuava convicta que seria uma coisa relativamente simples).

 

Quando às 17h me disseram que irias ser transferido, perguntei qual a gravidade da situação.

 

Lembro-me que quem veio falar comigo foi uma médica ainda nova, cujos olhos se encheram de lágrimas após indicar-me que o prognóstico era muito reservado.

 

Sem saber como, fui para o parque de estacionamento, sem dinheiro suficiente para tirar o carro.

 

Não sei como, lembrei-me de ligar para um amigo nosso, que morava não muito longe dali e que me foi levar o dinheiro (não entendo como é que um parque de estacionamento de um hospital não pode ser pago com multibanco... a partir daí, nunca mais andei sem dinheiro na carteira).

 

A seguir, liguei para a tua irmã, a dizer-lhe o que se passava e a perguntar se ela podia ir ter contigo ao hospital, que eu tinha que ir a casa buscar-te um pijama (acho que era o meu escape a querer que as coisas se resolvessem a bem rapidamente).

 

Chegaste ao hospital da nossa área de residência às 19h.

 

A tua irmã, o teu cunhado e o teu sobrinho já lá estavam.

 

A tua irmã foi ver-te e dizer-te que estava tudo bem. Diz que percebeste. Hoje em dia, dúvido.

 

Essa foi a tua primeira noite fora de casa.

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